O desenho urbano

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O Novo Recife e o Santo Amaro Norte ampliam a leitura sobre a metrópole através do olhar do desenho urbano.

É com atenção que vejo o planejamento da cidade, o urbanismo do território e o desenho urbano presentes na agenda da Metrópole. Ao tempo em que se impõe a criação da governança metropolitana para gerir o seu planejamento de forma integrada e articulada entre o Governo do Estado e os 14 governos municipais que a compõem, vejo emergir o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado – PDUI, eixo condutor da organização desse território.

Significa dizer que vamos cuidar do urbanismo retornando aos anos 1970 e projetando as visões do amanhã na cidade grande.

Na agenda cotidiana, o tempo recente debate o desenho urbano, com destaque para dois exemplos de uma revisão na forma usual de ocupação da cidade ─ o Novo Recife, no seu redesenho para o Estelita, e o Santo Amaro Norte, no recém apresentado Projeto Especial para a Vila Naval e seu entorno.

Ambos localizados no centro da metrópole: o Centro do Recife. Ambos na frente da água dos rios que se misturam com o mar. Eles obedecem ao que determina o Plano Diretor quanto à elaboração de Projetos Especiais para requalificar espaços urbanos estratégicos que apresentem vantagens locacionais e permitam o adensamento populacional planejado.

Nestes dois exemplos o desenho é protagonista no processo de organização do espaço urbano, indo além do corpo da lei ou do regramento de indicadores construtivos. Amplia conceitos do que é público e privado, outrora tratados de forma excludente. Ao contrário, são complementares e postos ao uso e fruição pelo cidadão. E ao fazê-lo, estabelecem as condições de ocupação que vão além dos limites dos lotes e das quadras, permitindo a possibilidade de uma intervenção ordenada capaz de ofertar espaços públicos e privados em sintonia com a boa cidade.

Os conceitos adotados pelas duas propostas ampliam a leitura sobre o território e a cidade, ensejando uma “janela projetual” capaz de orientar outras iniciativas em áreas estratégicas do Recife e demais partes da Cidade Metrópole.

Agora o redesenho de vazios urbanos em áreas degradadas ou subutilizadas dispõe de elementos de referência submetidos à discussão aberta e convertidos em instrumentos norteadores para a implantação de empreendimentos imobiliários. Agora há que se promover o tempo da viabilidade ─ cuidar da equação econômica do fazer concreto em harmonia com “o desenho desejo” do urbanismo.

Neste sentido, importa reconhecer que o desenho não deve ir além do seu objeto, evitando, por exemplo, o detalhamento da arquitetura futura ou a formatação de produtos inadequados às regras vigentes do mercado, posto que a sua efetividade exige a percepção da cidade real, capaz de incorporar a inovação como parte do seu contínuo processo de mutação.

 

Paulo Roberto Barros e Silva
é arquiteto.

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